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Recém-formado versus Trainee - Vantagens, armadilhas e desafios na progressão até um posto na direção

Vantagens, armadilhas e desafios da progressão de um recém-formado e de um trainee na corrida por um posto na direção

Participar de um programa de trainee é uma das melhores formas de um jovem profissional garantir uma carreira acelerada rumo a um posto de liderança numa grande empresa. De fato, ao sair de um programa do gênero, mesmo que não assuma imediatamente um cargo de gerente, o trainee costuma iniciar suas atividades como coordenador ou analista pleno.

No caso de um colega recém-formado que não teve a oportunidade de passar por um treinamento semelhante, o cargo inicial costuma ser de analista júnior. E mais: se um ex-trainee leva em média dois anos para chegar até a gerência, para uma pessoa que entrou na companhia pelas vias convencionais esse mesmo trajeto costuma demorar mais do que o dobro do tempo — cerca de cinco anos.

A diferença na evolução da carreira dos dois profissionais é determinada por alguns fatores. "A primeira grande vantagem do trainee é ter passado por uma seleção bastante criteriosa, na qual os valores e a atitude correta já foram filtrados", afirma Danilo Castro, diretor da Page Personnel.

Como se não bastasse, durante o período de um a três anos — dependendo da empresa — o jovem é capacitado especificamente para exercer o papel de líder e, ao longo do rodízio pelos diversos departamentos, tem a oportunidade de adquirir uma visão global do negócio. Mas essas vantagens não garantem por si só uma trajetória de sucesso.

"O calcanhar de aquiles dos trainees é a falta de um conhecimento mais profundo das áreas por onde passaram", diz Danilo. "O trainee precisa ter muito jogo de cintura e maturidade comportamental para aprender com os demais e minimizar as lacunas técnicas que ele tiver." Para os profissionais que fazem carreira pela via convencional, o conhecimento pleno dos processos em determinada área pode representar um ganho de tempo na busca de uma promoção.

Ser visto

A experiência de trainee ainda rende outras vantagens, como grande exposição do profissional às lideranças da empresa. "O maior acesso aos gestores e o rodízio pelos diversos departamentos rendem uma rede de contatos poderosa", diz Fábia Barros, gerente da área de jovens profissionais da consultoria Across.

Para compensar essa desvantagem, a pessoa que não passou por esse tipo de programa tem de ter uma atitude ainda mais ativa, criando situações para aumentar sua exposição e ter o conhecimento de outras áreas do negócio — participar de projetos que envolvam vários setores da companhia ou se oferecer para coordenar essas atividades. "Quem não é visto não é lembrado", diz Fábia Barros.

Outra diferença entre a carreira de um ex-trainee e a dos demais profissionais é que os últimos tendem a ganhar tempo na progressão de cargos, mudando mais vezes de empresa. Essa estratégia pode aumentar a visibilidade do profissional no mercado, aumentar sua bagagem de conhecimentos sobre o negócio e acelerar as promoções. Por isso, os consultores são unânimes em dizer que a vantagem comparativa dos trainees pesa mais no início da carreira.

À medida que o tempo passa, o impulso inicial dado pelo programa perde relevância diante dos resultados concretos que cada um apresenta. "Por isso é importante o ex-trainee não se acomodar nem depositar na empresa a responsabilidade pelo desenvolvimento dele. A carreira não vai progredir automaticamente só por ter participado do treinamento", diz a gerente da área de jovens profissionais da Across.

Para que a carreira não perca o embalo proporcionado pelo trainee, o conselho final é que o jovem conte com a ajuda de um coach. "Não precisa ser alguém contratado para isso, mas um profissional mais velho em quem o ex-trainee confie e que possa ser um apoiador da carreira dele, orientando e ajudando a criar e aproveitar as oportunidades", diz Danilo Castro.